Voto alienado será record em 2014

Por Jorge Ramos Mizael (*)

 

A rejeição a partidos políticos e a deflagrada insatisfação com a conjuntura nacional apontam para um cenário de elevada abstenção e altos índices de votos brancos e nulos na próxima eleição. A soma dos itens citados é conhecida, na ciência política, como Índice de Alienação Eleitoral (IAE).

 

O índice tem intimidado os detentores de mandatos eletivos, que, via de regra, não se mostrou suficientemente atrativa ao eleitorado médio. Em 2010, o número ultrapassou 34 milhões, no primeiro turno. Ou seja, o IAE só perdeu para a primeira colocada na ocasião, Dilma Rousseff, com 47 milhões. Já no segundo turno, a somatória de abstenção, votos nulos e brancos resultou em pouco mais de 36 milhões, enquanto a presidente eleita ficou com 55 milhões e José Serra, segundo colocado, ficou com 43 milhões.

 

Desde as eleições presidenciais de 1989, cerca de 30% do eleitorado brasileiro têm, intencionalmente ou não, exercido o voto alienado. Sendo assim, a conquista deste voto mostra-se decisiva para conquista do Palácio do Planalto em 2014.

 

Porém, atrair tal eleitorado não será tarefa fácil e questões como o reflexo das recentes passeatas nas urnas; a sempre criticada infidelidade partidária dos candidatos; a ausência de renovação e oxigenação da representação; a proliferação de partidos fisiológicos sem identificação ideológica além da falta de sincronismo entre candidatos e eleitores devem incentivar o voto alienado.

 

Por outra parte, a eleição para o Congresso Nacional também deve sofrer uma ampla renovação dos quadros, fato que não é necessariamente bom.

 

O Legislativo, de maneira geral, não respondeu satisfatoriamente às expectativas dos eleitores. Além disso, a falta de decisão sobre o voto aberto no Parlamento e a não cassação do deputado Donadon, entre outros pontos, aumentaram a insatisfação que certamente será refletida nas urnas.

 

Em face do exposto, o cenário apresentado aponta para uma grande dificuldade de os políticos conseguirem conquistar os eleitores a ponto de conferir-lhes os votos necessários para sua eleição.

 

(*) Graduado em Ciência Política pelo Centro Universitário UDF e Assessor da Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical.