A lógica maquiavélica da sucessão na família Roriz

Por Jorge Ramos Mizael (*)

 

Nicolau Maquiavel em sua obra prima “O Príncipe” destaca basicamente duas vias para se alcançar o poder “Virtú” e “Fortuna”. Para ele, a Virtú seriam os atributos de um homem público, ou seja, a capacidade pessoal, a habilidade de se comportar e atuar no ambiente político. Por outro lado, diferente do que sugere o nome, a Fortuna de Maquiavel seria o acaso, aquilo que não é previsível, ou melhor, o imponderável da vida humana.

 

Sob esta ótica e direcionando os nossos olhos para a sucessão política em uma das principais famílias da Capital Federal discorreremos sobre algumas possibilidades no atual cenário eleitoral.

 

Joaquim Domingos Roriz foi governador do DF por quatro mandatos e também exerceu um mandato de Senador (abreviado por sua renúncia no famoso caso da “bezerra de ouro” em 2007), de Deputado Federal (1983-1986) de Deputado Estadual (1979-1982) pelo Goiás e de Vereador de sua cidade Natal, Luziânia (1962-1965).

 

Nas últimas eleições gerais, Joaquim Roriz, temendo ter a sua candidatura impugnada, colocou de última hora a sua esposa e ex-primeira dama, Weslian Roriz, para concorrer ao Governo. Mesmo estreando no cenário eleitoral, Weslian chegou ao segundo turno, perdendo para o candidato eleito, Agnelo Queiroz.

 

Atualmente com problemas de saúde e com 78 anos, um dos principais caciques da política local enfrenta dificuldade para passar o seu cajado, mesmo tendo duas de suas três filhas (Jaqueline e Liliane) exercendo mandatos eletivos e novamente disputando as eleições desse ano. A primogênita, Wesliane, até então, mantem-se distante da política.

 

A primeira tentativa de sucessão do ex-governador foi com Jaqueline Roriz. Jaqueline foi Deputada Distrital pelo PSDB (2007-2010) e atualmente é Deputada Federal pelo PMN. Em 2006, Jaqueline foi uma das pessoas filmadas recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do chamado “Mensalão do DEM”.

 

Somando-se a isso, logo no início do seu mandato na Câmara dos Deputados, março de 2011, Jaqueline foi acusada de pagar, com verba indenizatória, o aluguel de uma sala comercial que pertencia ao seu marido, Manoel Neto. Tais fatos, contudo, não foram suficientes para a cassação de seu mandato e o Plenário da Câmara, ainda com votação secreta, rejeitou a solicitação do Conselho de Ética.

 

O nome da Distrital Liliane Roriz também enfrenta dificuldades. Liliane, atualmente no PRTB, está no seu primeiro mandato e já foi acusada de mal uso de verbas indenizatórias por aluguel de veículos, além de responder por corrupção eleitoral, falsidade ideológica e propaganda eleitoral antecipada.

 

Deste modo, com o fraco desempenho da primeira geração que sucederia um dos mais importantes nomes da política do DF, a “bola da vez” é Joaquim Domingos Roriz Neto. Filho de Jaqueline e natural da Philadelphia – EUA, o jovem de 22 anos é a atual aposta da família para herdar um generoso espólio político.

 

Neto, como é conhecido, protocolou a sua candidatura junto à justiça eleitoral no último dia para o registro de candidatos na lista de substituição (06/08). Apresentando uma declaração no mínimo deplorável de conclusão de curso superior em ciência”s” política”s” (vide a imagem abaixo), o moço também pode ser apresentado como alternativa à juventude local.

 

Além disso, como a candidatura de sua mãe ainda depende do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o novo Joaquim Roriz pode ser um dos poucos de sua linhagem direta a não ser barrado pela “Ficha Limpa”.

 

Assim, dada a iminência de sua introdução no cenário político eleitoral, seja para suprir uma necessidade familiar, seja para lançar um “prodígio” e retomando os escritos de Maquiavel resta-nos apenas aguardar para saber se a transição será efetivada pela “Virtu” ou pela “Fortuna”. Façam as suas apostas.

 

 

(*) Bacharel em Ciência Política pelo Centro Universitário UDF e Assessor Legislativo da Queiroz Assessoria Parlamentar e Sindical.

(**) A opinião do autor é estritamente pessoal e não necessariamente reflete o posicionamento da instituição à qual está vinculada.